domingo, 21 de agosto de 2011

Retalho Pulsante

Sai
Vai
Recolhe todos os retalhos
Traz de volta
Recoloca em meu peito.
Ele anda cansado
De tanto sofrer
De tanto chorar
Traz...
Remendado,
Costurado
E novamente,
Inteiro...
De volta
Para o meu peito
Traz de volta
O pulsar,
O calor,
O sentimento,
As emoções,
De volta,
Mesmo suturado
Que volte pulsando,
Fazendo circular a vida por todo o meu corpo
Traz de volta
O calor,
O desejo,
O pulsar,
A vida...
A minha, a de antes,
Totalmente inteira!!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O tempo

Tempo...
Que tempo?
Ele não precisa ser visto
Ele passa impávido
Não olha para trás
Ele irradia a cura
De cada mal estampado
Você é que decide
Se transforma o triste em alegre.
Ele não concebe a inércia
Segue sempre impávido
Você é que decide
Acerca de você, de mim,
Ao longe...
Ele nunca se esconde
Ele nos tira e nos salva da mesmice
Um dia ele nos trouxe flores,
No outro, os espinhos
Hoje, você decide
Eu decidi por mim...
Ele passa impávido
Enquanto eu...
Acaricio uma nova flor
Os espinhos retirei com uma navalha
Neste momento, sinto o perfume da rosa
Que está tão próxima,
Na mesinha de cabeceira
Enquanto o tempo,
Passa impávido!!!

domingo, 31 de julho de 2011

Enfim, mais de um é multidão!

Muitas expectativas
Quanta vontade...
De perceber
O que se vive
Você e tantos outros

Quantos desejos
Ocultos,
Guardados,
Escondidos,
Lá no fundo...

Mas sempre sentidos,
E sempre, sempre desejados.

Muitos pensamentos
Muitas imagens
Muitos sonhos
Muitas decepções
São tantas as vontades...

De muitos
De encontrar a razão
Junto aos lençóis
De matar a curiosidade
De sentir na pele

O que acontece
O que se mostra do outro lado
O que cada um tem a dizer
O que se passa em cada olhar
Por onde as mãos passam

O que os olhos percebem:
É uma encenação,
É uma atriz,
É um ator,
Corpos à mostra?

O que se quer,
O que se mostra,
O que se percebe
Em cada gesto,
Ao subir os degraus?.

Perceber pelos outros
Compreender a vulnerabilidade
Sentir o fio da navalha
A percorrer a carne
Ou simplesmente estar ali...

Enfim, mais de um é multidão!

sábado, 30 de julho de 2011

Saudade: o passo que ficou!

Muito bom sair
Sem compromisso
Ter o domínio dos seus pés
O tamanho do salto não importa
O que vale, é o que ele representa.

Pode ser o Luís XV,
O rasteiro
O tipo Ana Bela...
Não importa o modelo
O importante é o seu poder sobre ele.

O essencial é poder voltar
Ter plena consciência
Saber onde pisou
Na lua, em cada estrela, no acelerador
Não importa onde, com quem ou como foi.

O importante é que:
Se possa saborear cada passo
Se possa refazer cada passo
Se possa relembrar cada passo
E possa sentir saudade de cada passo dado, um por um, detalhadamente!

sábado, 23 de julho de 2011

Era uma vez...

Um segredo
Uma noite
No escurinho
Lábios que se tocam
Macios...
Limpos ?
Nem tanto!
Sentidos...
À flor da pele
Línguas que se encontram
Tocam
Rodopiam
Provocam
Impulsionam
No silêncio
Despretensioso
A dois,
Muitos olhares
Quem sabe o quê?
Era uma vez...
Uma noite
Uma escada
Em que tudo se mostra
Como um segredo ao pé do ouvido!!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A espera de um querer

Encontros
Marcados
Desencontros
Não esperados

Tratar bem
É gostoso
Ser bem tratado
Também

Uma ida
Uma volta
Como tudo
Irá se resolver?

O destino
Enlaça
O destino
Desata

Braços
Cruzados
A espera,
Até quando?


Uma manifestação
É necessária:
Um sim ou
Um não!
Sejamos claros!!

terça-feira, 12 de julho de 2011

O Conto

Conto um conto

Será que conto,

As contas do teu cordão?


Conta que faz de conta

Que ouve os contos que te conto

Conta aquele conto

Aquele mesmo, o da Menina Feliz

Que contagia e entorpece com tamanha poesia.


Conta o conto

Que te conto à meia luz,

Conto de faz de conta

Que diz que não conta para mais ninguém.


Conta aquele conto

Conta a verdade

Que a mentira é contada

E só faz crescer o nariz!


Conta que seus contos

Contam as contas que fizeste...

Será que conta

Na ponta do lápis

As contas do armazém?


Ou será que conta o conto

Só para alegrar a mocinha

Lá do canto da serra?


Conto que um dia seu conto

Vai ser grande

Como a lua que ilumina o caminho dos navegantes à deriva...


Faça as contas

Que te conto

Que seu conto será pequeno no papel

Mas enorme nos corações de muita gente

Como um conto de Tolstói

Que te fez lembrar de mim...


Conta...

Como um conto

Que sou canto

E canto que gosto de ser assim!!