terça-feira, 18 de agosto de 2009

Passando a limpo

A dor que empalidece,
A dor que entristece,
A dor que sufoca, que aperta.
Que dá sinais que o fluxo vermelho pode parar.
É necessário mudar,
Passar a limpo,
Buscar a alegria,
Caminhar.
A dor que traz a felicidade
Ao deixar nos braços a vida.
A dor da ausência da carne,
A dor pela culpa de não ter feito mais...
Da minha ausência nos momentos incertos.
A dor da alma:
Da minha, da sua.
Que faz chorar em silêncio,
Que não se pode dividir.
Mas a vida não dá trégua, trapaceia,
Os olhos não se fecham,
Permanecem abertos,
Passando o filme da vida – o meu:
Intenso,
Cruel,
Verdadeiro.
A dor se intensifica, aperta o cerco.
A dor é sentida nos poros, nas células, no olhar.
A tristeza continua marcando os passos, os segundos, pontuando cada palavra.
O choro é inevitável.
A dor que irradia,
Que dilacera
Que corta o coração do outro,
Que nada pode fazer.
O mundo passa,
As pessoas passam,
As horas passam
E meu luto permanece.
A espera é longa,
Silenciosa,
Única...
De mais ninguém.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Dengue

Quanta dor!
Quanta agonia!
Nos olhos – o pavor!
A comoção é geral.
A impotência reina, inclusive a sexual.
O mosquito listrado, malandro carioca, cresce em alta escala,
assim como a inflação e a escassez de alimentos...
em meio a tanto descaso.
Pica suas vítimas: o branco, o preto, o rico, o pobre,a criança, o velho,
a gestante e de quebra – o feto, o artista
e o famigerado político que faz festas com o dinheiro retirado da saúde e educação - de nossos bolsos.
E os necessitados?
Atônitos (nas tendas)
em busca de solução (venosa?)
em meio aos tiroteios...
se jogam no chão.
O caos toma conta.
A inoperância é desnuda e
o medo a perder de vista.
Socorroooo !!!!
Virá?
Ou permaneceremos jogados à própria sorte, mesmo vestindo calça comprida, meias e sapatos fechados (todos na cor laranja) ?

Agora

Enfim o encontro!
O rosto tantas vezes
visto na multidão...
era só miragem!
Por longos anos escondido...
entre faces, entre mares.
Você tão perto, tão longe!
E eu, sempre a procurá-lo...
entre tantos atalhos,
entre os carros, entre os olhares,
entre lágrimas, entre mares...
E agora?

Sua verdade

Cedo ou tarde,
entre os muros da verdade,
entre os olhares...
somente seus!
Cedo ou tarde,
sem trégua,
como flecha...
Você, você, você
e mais ninguém.

Felicidade

Felicidade...
Que deixa o mundo inquieto,
Instigado, entregado
Prostrado aos pés...
Da flor, do penhasco.
Que derrete a geleira,
Do coração amarrado.
Que deixa o homem atônito,
Boquiaberto,
Devaneando um bocado.
Olhos estatelados
Gritando aos sete mares:
O que é isso ?
Minha argamassa exposta,
Meu coração aliviado.
Que sabor é este:
Misterioso, gostoso, simples
Só agora senti...
Só agora sou feliz !

Eu e você

A qualquer distância
Sinto o seu cheiro
Seu beijo doce
A qualquer hora do dia, da noite
Meu corpo treme,
O coração acelera
Estou com você.
A qualquer momento
Sigo meus pensamentos
E vou até você...
Tudo se apaga
Ou passa despercebido
Menos eu e você.


Márcia Juannes

Pétala

As crianças sumiram,
as pétalas caíram,
as borboletas voaram
e meu coração foi despedaçado.
Sentei-me no muro...
e não fui amada!