Caminhos percorridos
Tantos a percorrer
São muitos pensamentos
A interrogação sempre à frente.
Tento criar a imagem mental de seu rosto
Descobrir cada detalhe
Encontrar a beleza de seus olhos,
Contornar suas sobrancelhas,
Amenizar suas rugas,
Contar seus fios brancos,
Acariciar suas orelhas,
Sentir sua respiração,
Perceber seu arrepio ao beijar o canto de seus lábios.
São tantos pensamentos,
Muitos caminhos a percorrer...
E sua imagem próxima, ao mesmo tempo distante.
Quero descortinar seus desejos, sua alma, suas intenções...
Descortinado e descobertos seus segredos...
Maquiar seu rosto com minha luz e
Fazê-lo feliz.
De uns dois anos para cá, passei a escrever. Como não sei se essa vontade continuará e para não perder os textos... eis que criei o meu blog.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
A curiosidade, o gato, o rato e o que mais vier...
A curiosidade matou o gato.
O rato, diante da oportunidade
Lançou aquele olhar de: “numtoacreditando” !?
“Agora vou me dar bem”!
Acreditou na sorte e partiu.
Partiu para o abraço.
Todo serelepe
Correu o quanto pode,
Se desarmou.
Gritou, pulou, dançou.
O coração disparou,
A boca salivou.
Correu, correu, correu.
Mas, desarmado, esqueceu que além do gato, já morto, o homem estava armado.
O rato,
O queijo,
A ratoeira,
O grito,
O rato...
Preso, no entanto, feliz.
O rato, diante da oportunidade
Lançou aquele olhar de: “numtoacreditando” !?
“Agora vou me dar bem”!
Acreditou na sorte e partiu.
Partiu para o abraço.
Todo serelepe
Correu o quanto pode,
Se desarmou.
Gritou, pulou, dançou.
O coração disparou,
A boca salivou.
Correu, correu, correu.
Mas, desarmado, esqueceu que além do gato, já morto, o homem estava armado.
O rato,
O queijo,
A ratoeira,
O grito,
O rato...
Preso, no entanto, feliz.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Vida
O que se quer da vida ?
Vivê-la sem pestanejar, sentí-la por todos os poros, ouví-la em sussurro, comê-la com os olhos, tragar seu sono, beijar sua alma, abraçar seus sonhos, envolvê-la confortavelmente, acariciá-la, deixando-a sempre pura ou, então, à deriva, entregue a própria sorte ?
O que se quer da vida ?
Vivê-la sem pestanejar, sentí-la por todos os poros, ouví-la em sussurro, comê-la com os olhos, tragar seu sono, beijar sua alma, abraçar seus sonhos, envolvê-la confortavelmente, acariciá-la, deixando-a sempre pura ou, então, à deriva, entregue a própria sorte ?
O que se quer da vida ?
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Hermético
Não sei o que pensar.
São tantas dúvidas, muitas buscas e nenhuma resposta.
Tento em vão me desligar. Preciso fazer algo por mim.
Não encontro a palavra certa, a atitude correta. Nada se encaixa, se enquadra ou faz sentido.
A cada dia percebo o chão cada vez mais longe, os pés solto no ar. O pote sempre, sempre lacrado. Nenhuma lágrima. A angústia sempre presente. E o pensamento?... longe... em você - tão perto, tão longe. Sempre, sempre... hermeticamente cerrado. Distante.
São tantas dúvidas, muitas buscas e nenhuma resposta.
Tento em vão me desligar. Preciso fazer algo por mim.
Não encontro a palavra certa, a atitude correta. Nada se encaixa, se enquadra ou faz sentido.
A cada dia percebo o chão cada vez mais longe, os pés solto no ar. O pote sempre, sempre lacrado. Nenhuma lágrima. A angústia sempre presente. E o pensamento?... longe... em você - tão perto, tão longe. Sempre, sempre... hermeticamente cerrado. Distante.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Travessa
Passos largos, ar sereno. Atravessa a avenida. Aprecia a vitrine. Mais um passo e está dentro; depara-se com as inúmeras delícias – a do estômago também. Boquiaberto, ávido pelas palavras, pelas vírgulas, pelos sinais, pelos sentidos escondidos ou visíveis nos romances, nos contos, nos artigos, nas poesias, numa frase, num vocábulo. Tudo ou quase tudo emana prazer - não resiste - e aspira o aroma, não do pó, mas do saber.
Em pé ou agachado, não importa, folheia cada página e descortina as palavras desenhadas e aquelas do imaginário e concorda com o poeta que: “a vida é traição”* – está dito, é sentido. O que se tem hoje é único, amanhã pode se ter mais ou deixar de ter, de fazer sentido. Basta atravessar o travessão sem atenção e não ver a Travessa.
* “a vida é traição” – refere-se ao conto - Momento num café - de Manuel Bandeira.
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta
Em pé ou agachado, não importa, folheia cada página e descortina as palavras desenhadas e aquelas do imaginário e concorda com o poeta que: “a vida é traição”* – está dito, é sentido. O que se tem hoje é único, amanhã pode se ter mais ou deixar de ter, de fazer sentido. Basta atravessar o travessão sem atenção e não ver a Travessa.
* “a vida é traição” – refere-se ao conto - Momento num café - de Manuel Bandeira.
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta
Quebra-cabeça
A vida é mesmo um quebra-cabeça: há momentos em que estamos com a cabeça, em outros, sem ela.
Vivemos tentando montá-lo e quando achamos que vamos preencher todo esse brinquedo lúdico - a nossa vida - perdemos ou não encontramos um peça ou porque não damos a verdadeira importância às sensações do nosso dia-a-dia ou porque não estamos preparados ou por vários outros motivos... assim, se vai, a vida passando.
A maioria de nós passa o tempo tentando encontrar peças que não foram criadas, que não existem ou porque pertencem ao nosso destino (ele existe ?). Talvez seja esse um dos maiores erros do ser humano – tentar conhecer o futuro, e, enquanto isso, algumas peças ficam pelo meio do caminho, à deriva, sem serem sentidas ou vistas.
E, se completo, como seria a vida ? Feliz ? Entediante ?
Algumas pessoas precisam de outras para fazê-las despertar para o mundo das inquietudes sadias. Prefiro a vida assim, um quebra-cabeça incompleto, montado dia-a-dia e, principalmente, vivido intensamente.
Vivemos tentando montá-lo e quando achamos que vamos preencher todo esse brinquedo lúdico - a nossa vida - perdemos ou não encontramos um peça ou porque não damos a verdadeira importância às sensações do nosso dia-a-dia ou porque não estamos preparados ou por vários outros motivos... assim, se vai, a vida passando.
A maioria de nós passa o tempo tentando encontrar peças que não foram criadas, que não existem ou porque pertencem ao nosso destino (ele existe ?). Talvez seja esse um dos maiores erros do ser humano – tentar conhecer o futuro, e, enquanto isso, algumas peças ficam pelo meio do caminho, à deriva, sem serem sentidas ou vistas.
E, se completo, como seria a vida ? Feliz ? Entediante ?
Algumas pessoas precisam de outras para fazê-las despertar para o mundo das inquietudes sadias. Prefiro a vida assim, um quebra-cabeça incompleto, montado dia-a-dia e, principalmente, vivido intensamente.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Passando a limpo
A dor que empalidece,
A dor que entristece,
A dor que sufoca, que aperta.
Que dá sinais que o fluxo vermelho pode parar.
É necessário mudar,
Passar a limpo,
Buscar a alegria,
Caminhar.
A dor que traz a felicidade
Ao deixar nos braços a vida.
A dor da ausência da carne,
A dor pela culpa de não ter feito mais...
Da minha ausência nos momentos incertos.
A dor da alma:
Da minha, da sua.
Que faz chorar em silêncio,
Que não se pode dividir.
Mas a vida não dá trégua, trapaceia,
Os olhos não se fecham,
Permanecem abertos,
Passando o filme da vida – o meu:
Intenso,
Cruel,
Verdadeiro.
A dor se intensifica, aperta o cerco.
A dor é sentida nos poros, nas células, no olhar.
A tristeza continua marcando os passos, os segundos, pontuando cada palavra.
O choro é inevitável.
A dor que irradia,
Que dilacera
Que corta o coração do outro,
Que nada pode fazer.
O mundo passa,
As pessoas passam,
As horas passam
E meu luto permanece.
A espera é longa,
Silenciosa,
Única...
De mais ninguém.
A dor que entristece,
A dor que sufoca, que aperta.
Que dá sinais que o fluxo vermelho pode parar.
É necessário mudar,
Passar a limpo,
Buscar a alegria,
Caminhar.
A dor que traz a felicidade
Ao deixar nos braços a vida.
A dor da ausência da carne,
A dor pela culpa de não ter feito mais...
Da minha ausência nos momentos incertos.
A dor da alma:
Da minha, da sua.
Que faz chorar em silêncio,
Que não se pode dividir.
Mas a vida não dá trégua, trapaceia,
Os olhos não se fecham,
Permanecem abertos,
Passando o filme da vida – o meu:
Intenso,
Cruel,
Verdadeiro.
A dor se intensifica, aperta o cerco.
A dor é sentida nos poros, nas células, no olhar.
A tristeza continua marcando os passos, os segundos, pontuando cada palavra.
O choro é inevitável.
A dor que irradia,
Que dilacera
Que corta o coração do outro,
Que nada pode fazer.
O mundo passa,
As pessoas passam,
As horas passam
E meu luto permanece.
A espera é longa,
Silenciosa,
Única...
De mais ninguém.
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