terça-feira, 23 de março de 2010

Um conto fantástico

De repente, olhei fixamente para o rosto do Erê...

Ele, sem entender nada, olhou-me com ar de surpresa - "O que ela está pensando ou vendo?", "O que foi, posso saber o que está passando pela sua cabeça?"
Por favor, Erê, levante um pouco a cabeça e incline-a para trás...
Por que, pergunta ele, ainda sem entender nada...

Mais uma vez, peço para que erga a cabeça. Meio reticente, acata meu pedido.
Então, tentei visualizar suas narinas, e nesse momento eu é que fiquei estranhamente surpresa, sobressaltada, boquiaberta...

- O que foi? - perguntou ele se desesperando.

Respondi: Precisamos ir com urgência a uma emergência.
O que houve, o que você viu em meu nariz?
Tem um corpo estranho dentro de seu nariz. Você não estava ou está sentindo nenhum desconforto? E ele respondeu: Não.

Minutos depois chegamos à emergência mais próxima e preenchemos o boletim de entrada. Na sala da recepção as pessoas falavam muito e em tom alto para o local.

Sentamos e aguardamos. Depois de alguns minutos fomos chamados por uma enfermeira que nos conduziu a um consultório e solicitou que o Erê se deitasse na maca. Em seguida, colocou uma bandeja de pequena cirurgia sobre a mesa de cabeceira e antes de se retirar disse que o doutor Manoel logo viria atendê-lo. Fiquei bastante preocupada, não só com o que vi na narina do Erê, mas com o ambiente impróprio para o tipo de procedimento, que a meu ver, deveria ser o mais limpo possível. Pensei: não seria o caso de ser atendido em um centro cirúrgico? O ambiente aqui não é propício para o atendimento em questão, já que provavelmente envolverá um procedimento bastante invasivo.


Minutos depois, entra no consultório, um senhor que mais parecia um feirante, exceto pelo nome - Dr. Manoel Trancoso - bordado em linha azul no bolso do jaleco branco, encardido e sob este, uma camisa vermelha com os seus três botões anteriores sem abotoar, deixando à mostra o seu peito onde podia ser visto uma corrente grossa, dourada, nada comum a postura de um profissional médico. Os cabelos com aspecto de sujo, tamanha a oleosidade, o rosto ensebado, as unhas grandes e sujas, os sapatos velhos e sem cuidado algum... Pensei com meus botões - todos abotoados: Meu Deus, seja o que senhor quiser!!


O "doutor Manoel" olhou para mim e para o Erê, esboçando um sorriso de satisfação. Abriu a bandeja e começou a mover as pinças sobre a face do Erê.


Eu, que sempre me senti mal ao ver sangue – e dessa vez não foi diferente – comecei a ter a sensação de desmaio (suor frio, palidez, náusea...) e por mais que desejasse olhar para o que o médico estava fazendo, alguma coisa me impedia.


Percebi que calçou luvas (graças a Deus!!) e que as mesmas estavam ensanguentadas... Precisei olhar para o outro lado, pois não queria ser mais uma paciente a causar trabalho em hora tão imprópria.

Algum tempo se passou... Será que desmaiei?!

De repente, o médico chamou a enfermeira Olivia e pediu para que ela me levasse para ver o corpo estranho retirado da narina do Erê. Ao olhar, primeiramente para o Erê, fiquei impressionada com a deformidade de seu rosto... não havia mais nariz, o rosto ensanguentado e nas mãos enluvadas do médico dois ossos que segundo ele, só seriam recolocados no dia seguinte, em novo procedimento. Assustei-me com isso e, mais ainda, com o que vi sobre a pequena bandeja de cirurgia: um pequeno cacto e ao seu lado um besouro de aproximadamente 3 cm, de asas verde-cintilante, com as patinhas para cima e que ainda se mexiam...

Então, perguntei ao médico o que aquele besouro fazia ali, já que o corpo estranho que vi na narina era apenas o cacto? Ele respondeu: - Ora, minha filha, o besouro foi o responsável por plantar o cacto na narina ou você acha que o cacto voaria sozinho para a narina?

Fiquei em silêncio, sem esboçar qualquer resposta, quando senti o sol entrar pela fresta da janela e me acordar.

Que sonho louco, ou melhor, graças a deus - foi um pesadelo!!

3 comentários:

7ondas disse...

Vc anota seus sonhos ou apenas, numa hora qq di dia num dia qq, vc lembra e escreve direto aqui?

Bjxx

W.

Márcia Juannes disse...

OI. Nesse texto utilizei uma pequena parte de um sonho (a que me lembrei) e a partir dela, fui desenvolvendo todo o resto - só que de olhos bem abertos, teclando diretamente no blog. Marcia.

Márcia Juannes disse...

Oi. Nesse texto aproveitei uma pequena parte de um sonho e de olhos bem abertos... desenvolvi todo o restante - teclando diretamente no meu blog.

Márcia